este tem sido um disco que me tem surpreendido. confesso que ao início fiquei de pé atrás quando soube que seria david sitek a poduzi-lo. ele tem por hábito reger-se em produções de tal forma sobretecnicistas que, em vários casos, acabam por ser elas as protagonistas, enquanto o intérprete fica refugiado na sombra. basta recordar o que fez no disco da scarlett johansson. no entanto, acredito que nesse caso específico essa era uma das poucas formas de abordar uma voz com uma capacidade interpretativa tão diminuta. no caso de kelis é bem diferente, felizmente. sei que é diferente porque se há algo que tem subsistido ao longo de todo o seu percurso tem sido uma personalidade vocal bem firmada e é precisamente por isso que este food se tem revelado tão fascinante. longe está a kelis que foi musa dos neptunes (e onde é que eles andam? porque ouvir o novo disco a solo de pharrell chega a ser embaraçoso) ou a cantora que, momentaneamente, embarcou na vaga eurohouse liderada por david guetta (e mesmo neste departamento kelis conseguiu resultados francamente superiores a todas as outras). se é a soul dita classicista que domina a cor dos arranjos da maioria das novas canções deste novo álbum, com claras heranças da escola stax, kelis consegue que nada disto soe a mais uma manobra em nome da nostalgia que cheira a mofo. as canções não se revelam logo ao primeiro embate, mas com o tempo tenho-me apercebido do trabalho incrível que ela aqui faz, nunca seguindo a via do histrionismo para conseguir transparecer um impacto emocional denso. já as produções servem a voz o melhor possível e sente-se uma cumplicidade entre intérprete e produtor que faz com que nenhum se sobreponha ao outro, além de, com o tempo, se revelarem em várias canções (jerk ribs, breakfast, rumble, por exemplo) belíssimos ganchos melódicos que provam que estes temas sobreviveriam sem estes arranjos concebidos por sitek, ainda que eles nunca se tornem em adornos dispensáveis.

este tem sido um disco que me tem surpreendido. confesso que ao início fiquei de pé atrás quando soube que seria david sitek a poduzi-lo. ele tem por hábito reger-se em produções de tal forma sobretecnicistas que, em vários casos, acabam por ser elas as protagonistas, enquanto o intérprete fica refugiado na sombra. basta recordar o que fez no disco da scarlett johansson. no entanto, acredito que nesse caso específico essa era uma das poucas formas de abordar uma voz com uma capacidade interpretativa tão diminuta. no caso de kelis é bem diferente, felizmente. sei que é diferente porque se há algo que tem subsistido ao longo de todo o seu percurso tem sido uma personalidade vocal bem firmada e é precisamente por isso que este food se tem revelado tão fascinante. longe está a kelis que foi musa dos neptunes (e onde é que eles andam? porque ouvir o novo disco a solo de pharrell chega a ser embaraçoso) ou a cantora que, momentaneamente, embarcou na vaga eurohouse liderada por david guetta (e mesmo neste departamento kelis conseguiu resultados francamente superiores a todas as outras). se é a soul dita classicista que domina a cor dos arranjos da maioria das novas canções deste novo álbum, com claras heranças da escola stax, kelis consegue que nada disto soe a mais uma manobra em nome da nostalgia que cheira a mofo. as canções não se revelam logo ao primeiro embate, mas com o tempo tenho-me apercebido do trabalho incrível que ela aqui faz, nunca seguindo a via do histrionismo para conseguir transparecer um impacto emocional denso. já as produções servem a voz o melhor possível e sente-se uma cumplicidade entre intérprete e produtor que faz com que nenhum se sobreponha ao outro, além de, com o tempo, se revelarem em várias canções (jerk ribs, breakfast, rumble, por exemplo) belíssimos ganchos melódicos que provam que estes temas sobreviveriam sem estes arranjos concebidos por sitek, ainda que eles nunca se tornem em adornos dispensáveis.

“I don’t even know myself at all/ I thought I would be happy by now/ The more I try to push it/ I realise – gotta let go of control/ Gotta let it happen/ It’s just a spark/ But it’s enough to keep me going”  (“Last Hope”, Paramore)


Quem me conhece sabe que tenho uma apetência enorme para entrar em ciclos de depressão passivo-agressivos que só melhoraram pela primeira vez, em muitos anos, no ano passado. Foi preciso cair, estatelar-me no chão para compreender que, afinal, sou um privilegiado e, como diz a Haley Williams na “Last Hope”: “It’s not that I don’t feel the pain/ It’s just I’m not afraid of hurting anymore”.


Não querendo estabelecer um paralelismo fácil, mesmo que o esteja a fazer voluntariamente, se demorei tempo demais a ultrapassar (espero eu) a via tão fácil que é a de me enclausurar numa teia de ansiedade para a qual acho que tenho todas as respostas (não tendo), também demorei muito tempo a compreender e a assimilar verdadeiramente o valor deste álbum homónimo dos Paramore.


Quando sugeri à Ana escrever algo sobre o disco disse-lhe qualquer coisa como: “É, neste momento, o disco mais importante da minha vida”. Passe o exagero, diz tanto sobre mim e sobre o lugar mental/emocional em que me encontro agora que, quando o oiço, penso que, afinal, a frase não é, de todo, exagerada.



Foi com essa pérola pop que é a “Still Into You”, onde os riffs de guitarra seguem um fraseado incrivelmente percussivo, que comecei a dar verdadeira atenção aos Paramore. Passo a autocitar-me (momento Marcelo Rebelo de Sousa do dia?): “A interpretação de Hayley Williams é, em grande, parte, a responsável por esta canção ser tão irresistível. Porque é mesmo convincente a forma como não contém quase fisicamente tanta felicidade. A forma como se atira ao verso “I should be over all the butterflies” é incrível. E, melodicamente, é uma canção power pop infalível, com toques de Taylor Swift, o que, como é óbvio, só pode ser um elogio.” 


Aliás, dos factores que me prendem a este conjunto de canções são precisamente as diversas performances da Haley Williams, que soa sempre intuitiva naquela forma de interpretar as canções com um registo tão estupidamente expressivo. É como se descesse do seu estrelato pop para tornar as suas interpretações relacionáveis com o plano terreno em que me encontro, quase como se pudesse eu mesmo cantar aquilo daquela forma.


Por outro lado, encaro muito deste álbum como uma declaração de autoconfiança (ou, pelo menos, uma tentativa de chegar até lá), mas que ainda tem bem presente toda a merda que ficou lá atrás – “We don’t talk about the past/ We don’t talk about the past now/ So, I’m writing the future/ I’m leaving a key here/ Something won’t always be missing/ You won’t always feel emptier”, ouve-se no tema final, “Future”. Simplesmente não entra em tentação de cair uma vez mais naquele ciclo vicioso. 


Por exemplo, a “Ain’t It Fun” é um verdadeiro manifesto à vida solitária. “Ain’t it fun you can’t count on no one?/ Ain’t it fun living in the real world?” Acho que não existe, neste momento, canção que resuma melhor onde estou. Porque, como é óbvio, continuo a sentir a solidão e os seus efeitos nefastos diariamente. É fodido chegar a casa sempre sozinho, passar os dias de folga a vegetar em casa, a dormir, porque não tenho que fazer com quem quer que seja, planear férias por minha conta e risco, chegar sempre à Portela sem ninguém para me receber. Sempre. Mas a verdade é que já estou tão habituado a não ter de depender de uma segunda metade, a não ter de dar prestações a um outro próximo, que nem sei se realmente quero que o cenário mude. Ao longo do ano passado interiorizei com maior pacifismo esta realidade. Daí que lamuriar-me sem um fim à vista não seja uma opção, porque há pessoas que estão realmente lixadas neste país/mundo. Eu não sou uma delas. “Don’t go crying to your mama when you’re on your own in the real world”, já diz a Haley. Ela quase que serve como a minha nova terapeuta, entregando-me de mão beijada estes mantras. Como, por exemplo, chegar à “Anklebiters” e cantar de peito aberto: “Fall in love with yourself/ Because someday you’re gonna be/ The only one you’ve got/ Why you wanna please the world/ And leave yourself to drop dead?/ Someday you’re gonna be/ The only one you got”.


No fundo, “some of us have to grow up sometime” (em “Grow Up”). Mesmo que mentalizar-me disso sempre me tenha custado muito (aquelas três vezes seguidas que fui ao cinema sozinho ver o Toy Story 3 e chorar sempre desalmadamente é só uma manifestação dessa dificuldade), mas há momentos em que se leva com uma chapada de realidade, porque há quem precise mais de mim do que poderia supôr.


Claro que além de tudo o que já escrevi e de como me relaciono com estas canções, este Paramore, o álbum, é mesmo das melhores coisas que ouvi nos últimos tempos. Desde logo um disco de rock para massas excelentemente bem produzido, dando-se pequenas reviravoltas nas canções que lhes dão uma vida ainda maior. Depois há o impacto emocional, tão incrivelmente calibrado, mas nunca perdendo o seu poder instintivo, que cada canção carrega. Concluo com uma das obras primas que aqui se ouvem, “Proof”, que é notável como expressa de forma decomplexada o júbilo de uma relação, mas partindo de uma posição de força e independência (“Baby, if I’m half the man I say I am/ If I’m half the woman with no fear/ Just like I claim I am/ There’s nothing left for you to do/ The only proof that I need is you”), além de levar as características guitarras emo pop que sempre definiram o som dos Paramore para um balanço quase reggae delicioso que é o fundo perfeito para a vontade de esperança e confiança que este disco transborda.

“I don’t even know myself at all/ I thought I would be happy by now/ The more I try to push it/ I realise – gotta let go of control/ Gotta let it happen/ It’s just a spark/ But it’s enough to keep me going” (“Last Hope”, Paramore)


Quem me conhece sabe que tenho uma apetência enorme para entrar em ciclos de depressão passivo-agressivos que só melhoraram pela primeira vez, em muitos anos, no ano passado. Foi preciso cair, estatelar-me no chão para compreender que, afinal, sou um privilegiado e, como diz a Haley Williams na “Last Hope”: “It’s not that I don’t feel the pain/ It’s just I’m not afraid of hurting anymore”.


Não querendo estabelecer um paralelismo fácil, mesmo que o esteja a fazer voluntariamente, se demorei tempo demais a ultrapassar (espero eu) a via tão fácil que é a de me enclausurar numa teia de ansiedade para a qual acho que tenho todas as respostas (não tendo), também demorei muito tempo a compreender e a assimilar verdadeiramente o valor deste álbum homónimo dos Paramore.


Quando sugeri à Ana escrever algo sobre o disco disse-lhe qualquer coisa como: “É, neste momento, o disco mais importante da minha vida”. Passe o exagero, diz tanto sobre mim e sobre o lugar mental/emocional em que me encontro agora que, quando o oiço, penso que, afinal, a frase não é, de todo, exagerada.

Foi com essa pérola pop que é a “Still Into You”, onde os riffs de guitarra seguem um fraseado incrivelmente percussivo, que comecei a dar verdadeira atenção aos Paramore. Passo a autocitar-me (momento Marcelo Rebelo de Sousa do dia?): “A interpretação de Hayley Williams é, em grande, parte, a responsável por esta canção ser tão irresistível. Porque é mesmo convincente a forma como não contém quase fisicamente tanta felicidade. A forma como se atira ao verso “I should be over all the butterflies” é incrível. E, melodicamente, é uma canção power pop infalível, com toques de Taylor Swift, o que, como é óbvio, só pode ser um elogio.”


Aliás, dos factores que me prendem a este conjunto de canções são precisamente as diversas performances da Haley Williams, que soa sempre intuitiva naquela forma de interpretar as canções com um registo tão estupidamente expressivo. É como se descesse do seu estrelato pop para tornar as suas interpretações relacionáveis com o plano terreno em que me encontro, quase como se pudesse eu mesmo cantar aquilo daquela forma.


Por outro lado, encaro muito deste álbum como uma declaração de autoconfiança (ou, pelo menos, uma tentativa de chegar até lá), mas que ainda tem bem presente toda a merda que ficou lá atrás – “We don’t talk about the past/ We don’t talk about the past now/ So, I’m writing the future/ I’m leaving a key here/ Something won’t always be missing/ You won’t always feel emptier”, ouve-se no tema final, “Future”. Simplesmente não entra em tentação de cair uma vez mais naquele ciclo vicioso.


Por exemplo, a “Ain’t It Fun” é um verdadeiro manifesto à vida solitária. “Ain’t it fun you can’t count on no one?/ Ain’t it fun living in the real world?” Acho que não existe, neste momento, canção que resuma melhor onde estou. Porque, como é óbvio, continuo a sentir a solidão e os seus efeitos nefastos diariamente. É fodido chegar a casa sempre sozinho, passar os dias de folga a vegetar em casa, a dormir, porque não tenho que fazer com quem quer que seja, planear férias por minha conta e risco, chegar sempre à Portela sem ninguém para me receber. Sempre. Mas a verdade é que já estou tão habituado a não ter de depender de uma segunda metade, a não ter de dar prestações a um outro próximo, que nem sei se realmente quero que o cenário mude. Ao longo do ano passado interiorizei com maior pacifismo esta realidade. Daí que lamuriar-me sem um fim à vista não seja uma opção, porque há pessoas que estão realmente lixadas neste país/mundo. Eu não sou uma delas. “Don’t go crying to your mama when you’re on your own in the real world”, já diz a Haley. Ela quase que serve como a minha nova terapeuta, entregando-me de mão beijada estes mantras. Como, por exemplo, chegar à “Anklebiters” e cantar de peito aberto: “Fall in love with yourself/ Because someday you’re gonna be/ The only one you’ve got/ Why you wanna please the world/ And leave yourself to drop dead?/ Someday you’re gonna be/ The only one you got”.


No fundo, “some of us have to grow up sometime” (em “Grow Up”). Mesmo que mentalizar-me disso sempre me tenha custado muito (aquelas três vezes seguidas que fui ao cinema sozinho ver o Toy Story 3 e chorar sempre desalmadamente é só uma manifestação dessa dificuldade), mas há momentos em que se leva com uma chapada de realidade, porque há quem precise mais de mim do que poderia supôr.


Claro que além de tudo o que já escrevi e de como me relaciono com estas canções, este Paramore, o álbum, é mesmo das melhores coisas que ouvi nos últimos tempos. Desde logo um disco de rock para massas excelentemente bem produzido, dando-se pequenas reviravoltas nas canções que lhes dão uma vida ainda maior. Depois há o impacto emocional, tão incrivelmente calibrado, mas nunca perdendo o seu poder instintivo, que cada canção carrega. Concluo com uma das obras primas que aqui se ouvem, “Proof”, que é notável como expressa de forma decomplexada o júbilo de uma relação, mas partindo de uma posição de força e independência (“Baby, if I’m half the man I say I am/ If I’m half the woman with no fear/ Just like I claim I am/ There’s nothing left for you to do/ The only proof that I need is you”), além de levar as características guitarras emo pop que sempre definiram o som dos Paramore para um balanço quase reggae delicioso que é o fundo perfeito para a vontade de esperança e confiança que este disco transborda.

1994 - 2014

a propósito de uma conversa entre amigos/colegas sobre um encontro em torno dos nossos discos preferidos dos últimos vinte anos (o porquê dos vinte não vale a pena ser mencionado) fiz uma lista dos meus eleitos aka os melhores discos desde 1994. porque sim.

- Aaliyah – Aaliyah (2001)
- Aimee Mann – The Forgotten Arm (2005)
- Ali Farka Touré & Toumani Diabaté – In the Heart of the Moon (2005)
- Amerie – Touch (2005)
- Animal Collective – Feels (2005)
- Annie – Anniemal (2004)
- Arthur Russell – Calling Out of Context (2004)
- Ashlee Simpson – Autobiography (2004)
- Basement Jaxx – Rooty (2001)
- Ben Frost – By the Throat (2009)
- Beyoncé – 4 (2011)
- Björk – Homogenic (1997)
- Black Dice – Beaches & Canyons (2002)
- Boards of Canada – Music Has the Right to Children (1997)
- Britney Spears – Blackout (2007)
- Burial – Untrue (2007)
- Cassie – Cassie (2006)
- Ciara – The Evolution (2006)
- D’Angelo – Voodoo (2000)
- David Sylvian – Manafon (2009)
- Dawn Richard – Armor On (2011)
- Destiny’s Child – The Writing’s on the Wall (1999)
- Diddy Dirty Love – Last Train to Paris (2011)
- Dizzee Rascal – Boy in da corner (2003)
- DJ Shadow – Entroducing (1996)
- The-Dream – Love vs. Money (2009)
- Electrelane – Axes (2005)
- Electrik Red – How to be a Lady, vol.1 (2009)
- Eminem – The Marshall Mathers LP (2000)
- Eve – Scorpion (2001)
- Excepter – KA (2004)
- Fennesz – Endless Summer (2001)
- Gang Gang Dance – Saint Dymphna (2008)
- Ginuwine – 100% Ginuwine (1999)
- Girls Aloud – Chemistry (2005)
- Hole – Celebrity Skin (1998)
- Janet Jackson – The Velvet Rope (1997)
- Jay-Z – The Blueprint (2001)
- Justin Timberlake – FutureSex/LoveSounds (2006)
- Kanye West – Last Registration (2005)
- Kate Bush – Aerial (2005)
- Kelis – Kaleidoscope (1999)
- Khonnor – Handwriting (2004)
- The Knife – Shaking the Habitual (2013)
- Lady Gaga – The Fame Monster (2009)
- Liars – Drum’s Not Dead (2006)
- Lightning Bolt – Hypermagic Mountain (2005)
- Low – I Could Live In Hope (1994)
- Madonna – Bedtime Stories (1994)
- Mariah Carey – Butterfly (1997)
- Mary J. Blige – My Life (1994)
- Matt Elliott – Drinking Songs (2004)
- Miguel – Kaleidscope Dream (2012)
- Missy Elliott – Miss E… So Addictive (2001)
- Mobb Deep – The Infamous (1995)
- Morrissey – You Are the Quarry (2004)
- Nas – Illmatic (1994)
- The Notorious B.I.G. – Ready to Die (1995)
- ‘N Sync – Celebrity(2001)
- Omar S – Fabric.45 (2009)
- One Direction – Take Me Home (2012)
- Oneohtrix Point Never – Replica (2011)
- Orbital – In Sides (1994)
- Outkast – Stankonia (2000)
- Panda Bear – Person Pitch (2006)
- Paramore - Paramore (2013)
- Photek – Modus Operandi (1997)
- Rachel Stevens – Come and Get It (2004)
- Rangers – Pan Am Stories (2011)
- Ricardo Villalobos – Fizheuer Zieheuer (2006)
- Ruff Sqwad – Guns and Roses: Vol.1 (2005)
- Rufus Wainwright – Poses (2001)
- Scott Walker – The Drift (2006)
- Shania Twain – Come On Over (1997)
- Sky Ferreira – Night Time, My Time (2013)
- Sleater-Kinney – Dig Me Out (1997)
- Smashing Pumpkins – Mellon Collie and the Infinite Sadness (1995)
- Smog – Dongs of Sevotion (2000)
- Snoop Doggy Dogg – Doggystyle (1994)
- Sonic Youth – Murray Street (2002)
- Source Direct – Exorcise the Demons (1999)
- Sparklehorse – Vivadixiesubmarinetransmissionplot (1995)
- Sparks – Lil’ Bethoven (2002)
- Spice Girls – Spice Girls (1996)
- Spiritualized – Ladies and Gentlemen Welcome to Space (1997)
- Stars of the Lid – The Tired Sounds of the Lid (2001)
- The Streets – A Grand Don’t Come for Free (2004)
- Sunn O))) – Monoliths & Dimensions (2009)
- Sugababes – Taller in More Ways (2005)
- T.a.T.u. – 200 Km/h in the Wrong Lane (2002)
- T.I. – King (2006)
- Taylor Swift – Fearless (2008)
- Teedra Moses – Complex Simplicity (2004)
- Three-6-Mafia – Chapter 2: World Domination (1997)
- TLC – Fanmail (1999)
- Tricky - Maxinquaye (1995)
- Tweet – Southern Hummingbird (2002)
- Usher – Confessions (2002)
- Weezer – Weezer (Blue Album) (1994)
- Wiley – Treddin’ on thin Ice (2004)
- Wolf Eyes – Human Animal (2006)

Darlene Love, Merry Clayton, Lisa Fischer, Tata Vega. À partida são nomes desconhecidos para o grande público, mas o mais provável é que já as tenham ouvido em canções de Frank Sinatra, Rolling Stones, Bruce Springsteen, Stevie Wonder ou Michael Jackson. A Dois Passos do Estrelato, realizado por Morgan Neville, e com o qual o cineasta foi premiado com o Óscar de Melhor Documentário, conta a história destas (e de outras) vozes que nos últimos 50 anos tiveram uma grande influência na música pop, mesmo que tendo permanecido na sombra.

Quando há sensivelmente um mês Darlene Love subiu ao palco do Dolby Theatre nos Óscares, tendo recebido uma ovação de pé depois de interpretar o hino gospel His Eye Is on the Sparrow, concretizava-se assim um momento histórico não só para a cantora, mas para todas as outras vozes que ela estava a representar (e a dar voz). Foi o merecido reconhecimento às artistas que durante décadas ficaram longe das luzes da ribalta, independentemente do seu talento.

Mas, como salienta Bruce Spring-steen no decorrer de A Dois Passos do Estrelato, nem todos são talhados para o estrelato. Há quem não tenha o ego e a confiança suficientes. Outros sentem-se mais confortáveis no papel de coristas. E muitos outros tentaram a sua sorte, mas por uma multiplicidade de razões que pouco têm que ver com capacidades ou esforço, ela nunca se concretizou.

O exemplo de Luther Vandross, que chegou a fazer coros no álbum Young Americans (1975), de David Bowie, antes de encetar uma bem-sucedida carreira em nome próprio, é uma raridade, como prova o documentário de Morgan Neville.

Se hoje recordarmos uma canção icónica como é Gimme Shelter, dos Rolling Stones, é impossível remeter para segundo plano a voz visceral, ancorada na tradição gospel, que se ouve ao lado de Mick Jagger cantar “rape, murder! It’s just a shot away”. Essa voz é de Merry Clayton, hoje com 65 anos, que em 1969 foi acordada a meio da noite para cantar uns versos numa canção dos Stones, como lembra a própria no filme. A cantora foi para estúdio ainda em camisa de noite, mas isso não a impediu de retirar de si uma interpretação sem a qual Gimme Shelter não seria a mesma canção. No documentário Mick Jagger volta a ouvir o tema, com a voz de Merry Clayton isolada, e o seu olhar de espanto a ouvi-la reflete a força que ainda hoje tem esta interpretação.

Apesar de pouco depois a cantora ter arriscado uma carreira a solo, e de ter contado com todo o apoio do produtor Lou Adler, os seus discos simplesmente não venderam.

A história é semelhante à de Lisa Fischer, que acompanhou nos coros artistas como Tina Turner, Luther Vandross, Rolling Stones ou Sting e, apesar de ter recebido um Grammy em 1991 pelo seu primeiro (e único) álbum a solo, So Intense, o seu sucessor nunca chegou a ver a luz do dia, voltando assim a trabalhar quase exclusivamente como corista.

Darlene Love, em tempos, chegou a trabalhar como empregada de limpeza, enquanto Claudia Lennear, que acompanhou Ike & Tina Turner, foi professora de Espanhol. Mesmo fazendo um retrato das muitas adversidades que estas cantoras enfrentaram, A Dois Passos do Estrelato nunca adota um olhar derrotista. Aliás, celebra sim os muitos talentos que estavam esquecidos e que agora, através deste documentário, podem ser finalmente reconhecidos.

um potimista também pode gostar dos rolling stones.

RAPE, MUDER! IT’S JUST A SHOT AWAY!

(e o vídeo é para esquecer, não faço ideia do que é)

às vezes também acredito que está é a canção mais perfeita do mundo. fleetwood mac. everywhere.

LIBERDADE. PAZ. PÃO. HABITAÇÃO. SAÚDE. EDUCAÇÃO.

belíssimo filme sobre a alienação da vida doméstica. concussion, de stacie passon, com robin weigert.

Kashka from Baghdad lives in sin, they say, with another man, but no one knows who. Old friends never call there. Some wonder if life’s inside at all, if there’s life inside at all. But we know the lady who rents the room. She catches them calling a la lune. At night they’re seen laughing, loving. They know the way to be happy. They never go for walks. Maybe it’s because the moon’s not bright enough. There’s light in love, you see. I watch their shadows, tall and slim, in the window opposite. I long to be with them. ‘Cause when all the alley-cats come out, you can hear music from Kashka’s house. “Watching every night. Don’t you know they’re seen? Won’t you let me laugh? Let me in your love.”

"I don’t have a problem with drugs in and of themselves. It’s just, it’s not possible to buy drugs ethically. There’s no Fairtrade cocaine, is there? If you buy drugs, you’re connected to a supply network that links you to slave labour and violent death. And in that respect, drugs are the same as all Apple products. And there’s a new app you can download that gives you live updates on chinese factory worker suicide rates. "

— Stewart Lee

Tags: stewart lee

não vou fazer uma análise crítica em relação ao que aconteceu na sexta-feira à noite na zdb porque tenho a perfeita consciência que não tenho os conhecimentos suficientes e necessários para escrever sobre os excepter, nem com leviandade. agora digo foi das melhores experiências musicais a que assisti nos meus pouco mais de vinte e cinco anos de existência. aquelas pessoas têm tanta e tão diversa música na cabeça e, sabe-se lá como, conseguem criar uma obra com um total desrespeito por convenções rigidamente formalistas, que ao vivo tem uma dimensão mind-blowing. e o novo disco, familiar, está-se a revelar um dos melhores que ouvi nestes primeiros meses do ano.

dos poucos discos deste ano que causaram algum entusiasmo neste trimestre. os da kelis e da neneh cherry revelaram-se superiores ao que indicaram ao início. growers not showers. tenho pena que o ‘little red’ de katy b ainda me causa mixed feelings, apesar de algumas malhas belíssimas que se ouvem por lá. e faltam aqui as mixes que ondness lançou este ano, nomeadamente a backwoods horror lounge’'an alchemical approach to a shapeshifting jungle' e, especialmente, bike cruise to an absolute elsewhere’.

fiz uma lista de singles/malhas que tenho ouvido com especial gosto nos últimos três meses (e que sejam deste ano) no spotify, just because. aqui: 2014

os álbuns ali em cima são:

- toni braxton & babyface - ‘love, marriage & divorce’

- dj q - ‘ineffable’

- kelis - ‘food’

- seixlack - ‘seu lugar é o cemitério’

- pessoas que eu conheço - ‘uma carta de amor para SEGA’

- schoolboy q - ‘oxymoron’

- yummi bingham - ‘no artificial flavorz’

- young thug & bloody jay - ‘black portland’

- neneh cherry - ‘blank project’

escrevi no Mashnotes um manual de vivência segundo os Paramore. muito muito obrigado pela oportunidade. mesmo.

escrevi no Mashnotes um manual de vivência segundo os Paramore. muito muito obrigado pela oportunidade. mesmo.