julho 6, 2014
Quem é, afinal, Kate Bush?

image

Há 35 anos Kate Bush fazia uma série de concertos teatrais e altamente ambiciosos, a que deu o nome de The Tour of Life, para não mais voltar aos palcos, a não ser pontualmente. Na altura, um concerto da jovem britânica ultrapassava em muito a mera atuação de uma estrela pop, assumindo a cantora em palco as mais diversas personagens que já davam vida às suas canções. No final resistia sempre a mesma questão: quem é Kate Bush? Agora que se prepara para voltar aos palcos, para a série de concertos Before the Dawn, que vão realizar-se entre agosto e outubro no Eventim Appollo, em Londres, o mistério permanece.

Não existe uma única resposta para tamanha questão. A própria, quando tentava definir-se, caía no paradoxo: “Sou a megalomaníaca mais tímida que provavelmente irás conhecer na tua vida”, disse, em 1989, numa entrevista à revista britânica Q. As suas canções são como entrar numa sala de espelhos, onde o seu reflexo se multiplica e confunde com ele próprio. Se por um lado a sua música é evidentemente feminina e marcada pela sua sexualidade, por outro lado não foram raras as vezes que a própria Kate Bush se embrenhou totalmente no sexo oposto, num jogo de troca de papéis desafiante que só coloca mais questões quanto à definição desta cantora tão singular.

“Ela é certamente única entre as compositoras femininas que, no seu cânone, não contém uma única canção que rebaixe, castigue ou queira dar uma lição aos homens. Ela nunca foi uma feminista no sentido mais obtuso do termo - ela quer abraçar e preservar as diferenças entre os sexos e compreender o macho da espécie. Muitas das suas canções mostram mesmo um desejo em experienciar de forma completa o que é ser um homem; ela investe-os de poder, beleza e um tipo de atração mística que é incrivelmente generosa”, escreveu o autor Graeme Thompson na detalhada biografia Under the Ivy: The Life & Music of Kate Bush. Na verdade, a sua discografia está repleta de casos que vão ao encontro da tese do autor britânico, que revelam esse ímpeto da cantora em se investir de forma imersiva no corpo do homem. Fê-lo, em primeiro lugar, no papel, nas canções, mas também de forma literal, nos vídeos que davam imagens às suas histórias.

Em Cloudbusting, canção retirada do celebrado álbum Hounds of Love, de 1985, assume a pele de Peter, filho mais novo do psicólogo e filósofo Wilhelm Reich, papel que encarnou ela própria no respetivo teledisco, subvertendo assim os convencionais papéis de género. Esta foi uma prática corrente de todo o seu percurso. Never for Ever (1980), o seu terceiro álbum, lançado pouco depois de ter celebrado apenas 22 anos, é um exemplo paradigmático. “Liricamente as canções das sessões de Never for Ever eram menos notáveis pelo seu conteúdo político do que pela determinação contínua de Bush em rejeitar e subverter os papéis de género. Em sintonia com a sua própria ‘masculinidade’ enquanto artista, uma e outra vez ela cria reviravoltas que são mais comuns nas canções tradicionais, em que um grumete acaba por se tornar uma jovem vigorosa, já falecida há quatro meses”, lembra Graeme Thompson.

The Wedding List, tema retirado deste disco, levemente inspirado no filme A Noiva Estava de Luto (1968), de François Truffaut, renuncia a imagem da noiva inocente transformando-a numa assassina vingativa. Já em Babooshka, um dos seus grandes sucessos da época, inspirada esta numa canção tradicional de nome Sovay, Bush aproxima-se mais do marido infiel do que da mulher ciumenta.  O lado B deste single, Ran Tan Waltz, é outro caso paradigmático de subversão dos papéis tradicionais, contando a história de um jovem marido que é deixado sozinho em casa, com uma criança nos braços, enquanto a mulher se encontra na rua, entre copos e outros casos.

Por vezes essa vontade de “experienciar de forma completa o que é ser um homem” assume outros significados para além do mais literal. Running Up that Hill, de 1985, provavelmente o seu maior sucesso desde Wuthering Heights (1978), já reinterptretada por uma mão-cheia de artistas, que vai dos Placebo aos Chromatics, passando por Tori Amos, Patrick Wolf ou pelos Within Temptation, é, como descreve Graeme Thomson, “outra investida artística e completamente original nos papéis e relações de género”.

A canção, originalmente intitulada A Deal with God, fala do desejo, ainda que impossível, de Kate Bush em se tornar no seu amado e ele transformar-se nela. Esta troca de papéis acaba por assumir contornos mais abrangentes e que ajudam a compreender com maior profundidade esta carreira tão peculiar, porque ao se recusar em assumir determinismos de género, estimulando até que essas fronteiras de papéis se tornem cada vez mais nebulosas, Kate Bush está também a recusar definições estanques da sua personalidade criativa. Daí que o biógrafo descreva na introdução de Under the Ivy que Bush “sempre esteve muito mais próxima de um poeta ou romancista do que de um músico pop”.

Estas múltiplas personagens a que a cantora dez voz na sua carreira, aliadas a uma postura que encontrou na teatralidade uma forma de exposição individual não linear, mas também a uma reclusão que fez que nos últimos vinte anos tivesse lançado somente dois álbuns de estúdio (a obra-prima Aerial, de 2005, e 50 Words of Snow, de 2011) e um disco de reinterpretações do seu repertório (Director’s Cut, também de 2011), adensam o mistério que ainda é nos dias de hoje a figura de Kate Bush.

A partir de 26 de agosto - e até 1 de outubro - estará de novo em cima de um palco, com todos os olhares centrados em si, mas, a ter em conta a sua obra, serão certamente mais as questões que vai colocar do que respostas, sendo nesse desafio que reside muito do fascínio que a cantora carrega em si.

(texto originalmente publicado no Qi do DN)

12:47pm  |   URL: http://tmblr.co/Z_fmVt1KiHzcp
Arquivado em: kate bush 
julho 2, 2014

Pop & Insensibilidade Racial 

Provavelmente a maioria das pessoas que estarão neste momento a ler este artigo já estarão bem fartas do circo mediático que desde o ano passado se montou em torno de Miley Cyrus, cantora que trouxe agora à Meo Arena, em Lisboa, no dia 15 de junho, a digressão que tanta tinta tem feito correr. A maioria das críticas e comentários que se têm feito à ex-Hannah Montana desde a muito discutida actuação nos MTV Video Music Awards têm-se restringido à forma altamente sexualizada com que agora se expõe, ignorando muitas dessas vozes todo um outro caminho que vai de Madonna a uma Lady Gaga ou Beyoncé. Menos falada tem sido a problemática de Cyrus ter decidido sexualizar-se apropriando-se de estereótipos ligados às mulheres afro-americanas, recorrendo aos seus corpos como mais um adorno para validar uma imagem de rebeldia. Uma insensibilidade racial na qual está longe de ser a única “culpada”.

Aliás, alguns nomes sonantes no cenário pop recente, como Lilly Allen, Sky Ferreira, Lorde e Avril Lavigne, têm divulgado vídeos e canções bastante insensíveis em relação às problemáticas raciais e à forma como ainda hoje é o privilégio branco a apropriar-se de outras raças. Com isto não se quer acusar estas intérpretes de serem explicitamente racistas. Mas alguns dos seus actos pedem um questionamento porque, ao contrário do que os defensores da falácia do mundo pós-racial podem acreditar, existe racismo não intencional. 

Miley Cyrus, por exemplo, mostra uma vontade ávida de fazer parte (e de celebrar) essa cultura negra americana, falhando consecutivamente nas decisões. E com o alimentar de polémicas muitos se esquecem das belíssimas canções a que tem dado voz. Já Sky Ferreira, que se vai estrear em Portugal na edição deste ano do NOS Primavera Sound, e também ela uma das mais interessantes vozes da actualidade, divulgou recentemente o vídeo de “I Blame Myself”, no qual se faz acompanhar de um grupo de jovens negros como de um gang agressivo, recorrendo-se novamente a estereótipos sem ter em conta o seu contexto.

Por sua vez, a adolescente neozelandesa Lorde, que atuou pela pimeira vez em Portugal no Rock in Rio-Lisboa deste ano, deu-se a conhecer com uma canção, “Royals”, que tem preocupantes implicações raciais, dada as generalizações que faz do hip hop e, por consequência, da cultura afro-americana. “Every song’s like gold teeth, grey goose, trippin’ in the bathroom/ Blood stains, ball gowns, trashin’ the hotel room/ We don’t care, we’re driving Cadillacs in our dreams/ But everybody’s like Cristal, Maybach, diamonds on your time piece/ Jet planes, islands, tigers on gold leash/ We don’t care, we aren’t caught up in your love affair”, canta a jovem eleita pela Time como a adolescente mais influente de 2013. Curioso que, como apontou a feminista Verónica Bayetti Flores, Lorde preferiu focar-se na cultura hip hop para fazer as suas críticas contra a sociedade materialista, em vez de apontar o dedo aos verdadeiros responsáveis pela desigualdade na distribuição da riqueza.

Já a tentativa de criticar a sexualização da indústria pop por parte de Lilly Allen no vídeo de “Hard Out There” saiu completamente ao lado. No vídeo aparece com um grupo de dançarinas negras, seminuas, que dançam de forma lasciva para a câmara. Mas, ao contrário do que Allen provavelmente queria fazer, no final nunca é criticado o olhar e poder masculino que alimenta a objectificação das mulheres. A cantora acaba sim por ridicularizar o corpo das mulheres negras e a sua forma de dançar.

Mais recente ainda é o teledisco de “Hello Kitty” de Avril Lavigne, que utiliza como objectos quatro mulheres japonesas, homogéneas entre si e sem quaisquer expressões humanas, que acompanham a cantora por onde esta se passeia. O vídeo recorre a um imaginário infantilizado onde nem falta o habitual sushi, reduzindo a cultura japonesa a um fetiche estereotipado pelo mundo branco ocidental.

Todas as cantoras mencionadas se demitem das implicações raciais que os seus vídeos/canções comportam, mas estes exemplos, bem enraizados na pop mainstream, são reflexo que a sociedade pós-racial está muito longe de ser uma realidade. 

(este texto foi originalmente escrito para a revista DIF)

junho 30, 2014

balanço primeiro semestre 2014: s) - z)

seixlack - seu lugar é o cemitério
schoolboy q - oxymoron
sensible soccers - 8
sei miguel - salvation modes
toni braxton & babyface - love, marriage and divorce
torn hawk - through the force of will
willie nelson - band of brothers
yummy bingham - no artifical flavorz
young thug & bloodyjay - black portland
yg - my krazy life

junho 30, 2014

balanço primeiro semestre 2014: k) - r)

kelis - food
kevin gates - by any means
mariah carey - me. i am mariah… the elusive chanteuse
miranda lambert - platinum
neneh cherry - the blank project
ondness - vudu voguing (vols. I & II)
pessoas que eu conheço - uma carta de amor para a sega
prins thomas - III
rodrigo amado motion trio & peter evans - the freedom principle
rodrigo amado wire quartet - wire quartet

junho 30, 2014

balanço primeiro semestre 2014: a) - f)

5 seconds of summer - 5 seconds of summer
black bombaim - far out
davinche/katie pearl - 2002 r&g album
dolly parton - blue smoke
dead combo - a bunch of meninos
dj q - ineffable
excepter - familiar
filipe felizardo - volume II: sede e morte
future - honest

junho 26, 2014
"a última bilha de gás durou dois meses e três dias / com o gás dos últimos dias podia ter-me suicidado / mas eis que se foram os três dias e estou aqui"

— herberto helder

junho 24, 2014
- and what you do now that you are single?
- what you mean?
- sex.
- i don’t have it.
- aren’t you too young? 
- what you mean? is there an age?
- no idea.

- and what you do now that you are single?
- what you mean?
- sex.
- i don’t have it.
- aren’t you too young?
- what you mean? is there an age?
- no idea.

junho 22, 2014

o disco do ano é de 2002? possivelmente.

junho 19, 2014

"quase que já não me lembro de nada, vida veio e me levou". parabéns chico.

junho 16, 2014
Miley Cyrus no Meo Arena

image

Existe, definitivamente, uma Miley Cyrus pré-Bangerz (o seu ultimo álbum) e uma pós, ou não tivesse a cantora concentrado as mais de duas horas de concerto no Meo Arena nas canções desse disco, cuja música e campanha promocional a si associada marcam o corte radical feito com a imagem inocente de quando era conhecida pela personagem Hannah Montana. 

É verdade que ao longo do último ano montou-se um autêntico circo mediático em torno desta nova Miley Cyrus, que dá todos os seus passos com o intuito de provocar diretamente quem a “consome”, tendo encontrado na exposição mais sexualizada o veículo ideal para atingir os seus fins. No entanto, este mediatismo que se gerou à sua volta não significou uma casa cheia neste seu regresso a palcos portugueses, quatro anos depois de uma passagem pelo festival Rock in Rio-Lisboa.
Podiam-se apontar várias possíveis razões para justificar o facto do Meo Arena se ter ficado pela meia sala no domingo à noite, como a crise no País, a data do concerto, o preço dos bilhetes, o facto de alguns pais não quererem levar os seus filhos a um espetáculo que vive da provocação mais imediata, mas a verdade é que Miley não se deixou abater pela sala meio vazia que teve à sua frente.
Em Lisboa a cantora apresentou um espetáculo exuberantemente pop, onde habitam tantas referências visuais que torna esta atuação uma montra viva do Tumblr, onde ora existem animações semelhantes a Ren & Stimpy ora existem gatos no espaço, um cão gigante com raios lazer a saírem-lhe dos olhos ou um cachorro quente de grandes dimensões que é montado pela própria cantora (e em cima do qual acena aos admiradores). Os bailarinos tanto se vestem de bonecos de peluche como de isqueiros em tamanho gigante.
Não faltou o inevitável twerk, as palmadas encenadas nos rabos de todas as bailarinas, entre elas uma anã que apareceu pela primeira vez em palco com uma máscara de Britney Spears, os dedos do meio em riste no ar e as línguas de fora. Miley Cyrus serve-se do que tem à mão para criar uma espécie de musical que vive do exagero e do choque, sem servir uma narrativa propriamente lógica, mas também sem cair no refúgio de mostrar quaisquer remorsos pela dimensão quase caricatural que o seu espectáculo assume. É essa dimensão tão exagerada que torna este um espectáculo de puro entretenimento, dinâmico e onde o tempo passa a voar.
Aliás, as duas horas e meia de espectáculo passaram sem nunca se arrastarem porque domina o dinamismo, sem momentos “mortos”, mas com uma atividade que talvez seja fruto dos ensinamentos das dinâmicas das redes sociais, onde tudo tem de ser consumido o mais rápido e intensamente possíveis.
O cenário de palco estava em constante mutação. Se ao início apareceu deslizando sobre a “sua” língua gigante, pouco depois já surgia em cima de um carro, envergando um reduzido vestido de notas de dólar, que a própria ia atirando sobre os fãs das primeiras filas. Mais tarde a cantora era “perseguida” por um monstro gigante que muito se assemelhava ao Popas da Rua Sésamo (durante a canção FU), mas logo de seguida subia a uma cama gigante, onde quase simulou atos sexuais com os seus bailarinos (no tema #Getitright).
Por mais estranho que pareça, esta última canção acabou por ser repetida, uma vez que o concerto estava a ser filmado para uma posterior edição em DVD, algo que aconteceu novamente com On My Own. Estas repetições acabaram por quebrar, momentaneamente, com a fluidez do espectáculo, além de terem transformado o Meo Arena numa espécie de tubo de ensaio.
Apesar da mudança radical que a cantora projectou ao longo deste último ano, em palco não esqueceu as raízes country onde começou a dar os seus primeiros passos. Do My Thang, por exemplo, evoluiu da produção hip hop que caracteriza a canção em disco para uma aproximação ao country hillbilly. E recordou ainda esse clássico que é Jolene, da sua madrinha Dolly Parton.
Esta canção foi interpretada já num palco montado no centro do público, onde o espalhafato visual era posto, momentaneamente, de parte. Aí cantou ainda You’re Gonna Make Me Lonesome When You Go, de Bob Dylan (e durante o qual provou que, se quisesse, poderia ser uma belíssima cantora de country, tendo uma amplitude vocal que nem sempre lhe é reconhecida devido ao circo de polémicas que se gera à sua volta), There is a light that never goes out, dos Smiths, cuja audiência, maioritariamente adolescente, desconhecia, o mesmo não se passando com Summertime Sadness, de Lana Del Rey, The Scientist, dos Coldplay, e Hey Ya, dos Outkast. Antes desta sucessão de canções de outros artistas a cantora já tinha feito uma versão de Lucy in the sky with diamonds, o clássico dos Beatles que, como a própria recordou, integrará o álbum With A Little Help from My Fwends, dos Flaming Lips.
O final do espectáculo foi épico como se exigia, com os singles We Can”t Stop e Wrecking Ball no primeiro encore (interpretadas a viva voz pelo público, claramente ansioso para as ouvir) e Party in the USA no último encore, esta última dando azo a uma festa em palco onde povoavam bailarinos vestidos de Abraham Lincoln, da Estátua da Liberdade ou até do Monte Rushmore. Entretenimento puro, sem espaço para subtilezas, onde o que interessa é o impacto imediato e Miley soube conduzir um espectáculo destes moldes na perfeição.

(fotografia de Gonçalo Villaverde/Global Imagens,texto originalmente publicano no DN)

9:39am  |   URL: http://tmblr.co/Z_fmVt1IrPn_n
  
Arquivado em: Miley Cyrus 
junho 8, 2014

ou como cinco patroas viram do avesso uma malha do chris brown.

junho 6, 2014

justin bieber - looking for you (feat. migos)

tristemente justin bieber tem-se vindo a transformar / têm-no transformado no boneco mais caricatural que faz as delícias dos tablóides e do ”jornalismo” mais desprezível. mas ao mesmo tempo que tem seguido nessa espiral na via pública, tem também encetado uma progressiva alteração nos moldes da sua música, com um afastamento dos hinos pop bigger than life.

com alguma discrição, que se opõe a tudo o resto que caracteriza a sua persona, justin bieber tem vindo a lançar nos últimos meses canções que o aproximam mais do r&b e de produções hip hop sulista (e seus próximos). esta mudança da paradigma, à falta de melhor expressão, já se começava a sentir na compilação journals, onde se fez rodear de gente como lil wayne, chance the rapper ou o future (a what’s hatnin’ é incrível). e estes são os rappers mais mediáticos que têm feitos os dias recentes do cantor. depois de colaborações mais ou menos recentes com maejor ali (e juicy j) e tyga, de há dias ter lançado um teaser de um tema com o grande dj mustard e de se saber que andou a trabalhar com o yg (ainda que se desconheça o destino de toda esta atividade), há  dias lançou uma nova canção, looking for you, com o trio de Atlanta migos, que entra, tranquilamente, no top de melhores canções do biebs.

será uma pena que o ruído mediático faça com que uma malha destas passe ao lado do seu potencial público. ao contrário do que acontecia nas antigas participações de rappers, aqui os migos estão plenamente entrosados na canção, não sendo remetidos ao lugar convencional de guest, mas entrando na construção melódica do refrão. tanto a entrega interpretativa de bieber, assente na linguagem r&b de coração na lapela mas com um apelo clubbing, e a desteza dos migos fazem com que esta canção tenha tudo para ser um hino de verão, masque não o será porque a indústria está demasiado preocupada em alimentar o boneco justin bieber até ele implodir. ainda assim, acredito que esta aproximação a um meio que, habitualmente, não é tão escrutinado pela imprensa de massas mais vampiresca dê espaço para bieber concretizar todo o seu potencial.

claro que tudo isto também pode ser somente uma continuação da apropriação da indústria pop da cultura trap (vide miley cyrus e iggy azealia).

junho 5, 2014

future - blood, sweat, tears

provavelmente a canção que mais ouvi nas últimas semanas. ou como juntar um registo tão melodramático com autoconfiança. e o sentimentalismo de uma tirada como “all I ever wanted for you was to believe in me” ainda me bate com mais força. grande.

Publicações favoritas no Tumblr: Mais publicações favoritas »