outubro 15, 2014

taylor swift - out of the woods

é impressão minha ou a taylor swift partiu do animals dos savage garden para fazer a canção pop perfeita de 2014? há quem aponte para a kate bush e a annie lennox (e para chvrches, lol), que não me parecem assim tão presentes.

"Remember when you hit the brakes too soon? 20 stitches in the hospital room. And you started cryin’, baby I did too. But when the Sun came up, I was lookin’ at you. Remember when we couldn’t take the heat. I walked out and said I’m settin’ you free. But the monsters turned out to be just trees. And when the Sun came up, you were lookin’ at me."

ainda não estou a conseguir processar. este é o caminho, manter viva a personalidade que a distinguiu até agora, mesmo que se tenha distanciado de vez da country. a letra é incrível, a sensação claustrofóbica que a repetição do refrão dá é perfeita para o que a canção pede. a forma como ela consegue atingir o clímax emocional da canção sem que caia num registo over the top. só estou a escrever merda, peço desculpa, mas isto tinha de ser assinalado.

desculpa tay.

outubro 10, 2014

é meia-noite, faço anos e isto está a passar no rádio. porque este será um dia que nada terá de celebração, só uma imensa tristeza e uma eterna saudade. mas serás eterna t. obrigado pelo privilégio que me deste.

outubro 9, 2014

neste momento poucas coisas me parecem tão bonitas como estes background vocals que circundam a voz da lee ann womack nesta canção do neil young. têm uma celestialidade que me remete para o universo dos 10cc, mesmo que a canção nada tenha que ver com esse registo.

(Fonte: Spotify)

1:10am  |   URL: http://tmblr.co/Z_fmVt1Si9j5d
  
Arquivado em: Lee Ann Womack 
outubro 9, 2014

discos dos últimos três meses. mais registo de memória que outra coisa qualquer.

- francis harris - minutes of sleep
- gerard way - hesitant alien
- lee ann womack - the way i’m living
- manta - citadel
- ondness - death weekend/rituals
- ricardo rocha - resplandecente
- shanell - nobody’s bitch 2
- the-dream - royalty: the prequel
- tia maria produções - tá tipo já não vamos morrer

outubro 8, 2014
"Porque assim como aquele que habita com o suicida se mata em vida, também o que mata não faz mais que se suicidar nessa morte."

— José Cardoso Pires in ‘Balada da Praia dos Cães’

outubro 8, 2014
"But suicides have a special language.
Like carpenters they want to know which tools.
They never ask why build."

— Anne Sexton

outubro 7, 2014

glam rock meets todd rundgren via my chemical romance? este disco a solo de gerard way está-se a revelar incrível. mesmo.

1:15am  |   URL: http://tmblr.co/Z_fmVt1SYInLj
Arquivado em: gerard way 
setembro 30, 2014
"the secret of One Direction’s second phase is that it’s been dominated by big, dumb rock influences, and has produced some big, brilliant songs. If you want to disregard “Steal My Girl,” that’s fine; just know that you’re letting one of the better rock tunes of the year pass you by."

— Jason Lipshutz na Billboard - http://www.billboard.com/articles/columns/pop-shop/6266636/one-direction-steal-my-girl-four-rock?facebook_20140930

9:51pm  |   URL: http://tmblr.co/Z_fmVt1S2q7gO
Arquivado em: one direction 
setembro 17, 2014

há um ano perdeu-se uma boyband decente (sos e fly with me estão no meu coração), mas agora ganhou-se uma canção estupenda que segue de perto as pisadas de miguel, o que só pode ser coisa boa. há uns três anos o irmão joe também tinha umas belas canções no seu disco a solo que, infelizmente, foi votado ao esquecimento, como parece que acontecerá com a carreira a solo do nick. shame.

setembro 14, 2014
"Não sejamos ingénuos: não há negócios que não sejam ilícitos. Negócio é uma palavra que, por si mesma, quer dizer perder algo para se ganhar algo mais. E o que se perde nunca é bom. Não há homens de negócios bons. Há homens de negócios, mais ou menos violentos, mais ou menos ilícitos.
O mundo não é um lugar lícito."

— paulo josé miranda in ‘a máquina do mundo’.

setembro 11, 2014
Kate Bush - Before the Dawn
Passou uma semana desde que vi Kate Bush e o espectáculo Before the Dawn e, para ser profundamente honesto, ainda não estou em mim ou acredito sequer que tal tenha sido possível. Quando ao fim de umas três horas de concerto a Kate (ouso dirigir-me com esta informalidade porque ela faz parte da minha vida diária) começa a cantar os versos “I just know that something good is going to happen/ And I don’t know when/ But just saying it could even make it happen”, da belíssima Cloudbusting (que eu me atrevi a referir há quinze dias, numa entrevista na Antena 1, que era a minha preferida, ainda que essa escolha seja uma tarefa impossível de concretizar), não contive a choradeira. Não só por ter à minha frente uma mulher como Kate Bush ou por sentir, naquele preciso momento, que fazia parte de uma qualquer comunidade abstracta que se unia de forma tão feliz e efusiva, mas principalmente porque aqueles versos se inscreviam com precisão nas minhas ansiedades para lhes dar uma reviravolta.
Dado o meu trabalho quotidiano habituei-me a ver concertos com tanta regularidade que, nos últimos anos, a excitação de outrora deu lugar ao tédio por ver ininterruptamente as mesmas fórmulas, os mesmos rituais de espectáculo, seja em cima do palco, seja entre o público. E se, por um lado, um regresso aos palcos de Kate Bush, 35 anos depois da sua primeira e única digressão, significaria sempre uma fuga a essa conduta normativa, nunca na vida eu sonhava que o espectáculo que ela preparou fosse aquilo que acabei por ver.
Before the Dawn não é um concerto pop/rock. Também não é uma peça de teatro ou uma ópera, ainda que se aproprie com grande liberdade de todas estas linguagens. Before the Dawn é uma forma de aceder, a partir de dentro, à personalidade tão complexa e intricada da Kate Bush-artista, trágica, obscura e fantasiosa na sua incandescência ao mesmo tempo que consegue ser profundamente cândida e maternal, construindo-se como uma personagem teatral mas mantendo uma ressonância emotiva que a mantém profundamente terrena e minha (sim, minha).
Pode-se dizer que o início do espectáculo é mais convencional, recuperando canções como Lily (do álbum The Red Shoes, 1993), Hounds of Love e Running Up that Hill (A Deal With God) (Hounds of Love, 1985) ou King of the Mountain (Aerial, 2005), esta última apresentada numa nova versão que consegue suplantar a original. Fiquei desde logo surpreendido pela prestação vocal da Kate, tão precisa e emotiva, sendo impossível que tenha ficado muito tempo sem cantar com regularidade e depois apareça do nada e se mantenha uma intérprete tão infalível. Aposto que andou a dar concertos lá na mansão junto ao mar e não nos disse nada.
Mas a maior surpresa veio depois, quando transpôs para palco a Ninth Wave, suite que compõe o lado B de Hounds of Love, série de canções sobre uma mulher que se vê isolada no mar gélido. Antes foram atirados sobre o público centenas de bilhetes amarelos com os versos “Wave after wave, each mightier than the last,/ Till last, a ninth one, gathering half the deep/ And full of voices, slowly rose and plunged/ Roaring, and all the wave was in a flame”, de um poema de Alfred Tenyson, que já tinham sido incluídos no seu quinto álbum. Esta é, claramente, a secção mais complexa e ambiciosa de Before the Dawn, construída como um espectáculo teatral, mas com uma componente cinematográfica muito marcada. Vemo-la perdida nas águas, o seu corpo a assombrar o filho (interpretado pelo próprio filho, Bertie, que integra o coro e o grupo de atores), a sua tentativa de salvamento/salvação até que cai nos braços dos cadáveres de peixes, que a levam para nenhures, transportando estes o seu corpo entre o público, até que, no final, se vê a sua mão no ar para logo desaparecer, ficando na dúvida se esta mulher foi ou não salva. A felicidade de The Morning Fog, que conclui a Ninth Wave, faz antever um final feliz, ainda que o desfecho também possa ter lugar num outro patamar metafísico, distante do mundo terreno.
Depois do intervalo, Kate Bush voltou para interpretar uma outra peça conceptual, A Sky of Honey, presente na segunda parte da obra-prima que é Aerial, com a qual regressou aos discos depois de doze anos afastada. A suite centra-se num relato das diferentes etapas do dia, desde o alvorecer da manhã até anoitecer, concluindo com a nova manhã, ao mesmo tempo que um pintor (interpretado novamente por Bertie, que nesta parte chegou a cantar sozinho uma nova canção, Tawny Moon) tenta registar na tela esta evolução. Esta é uma secção onde Kate mostra uma relação telúrica com a natureza, com o canto dos pássaros que tenta replicar (na belíssima Aerial Tal), e isto acontece de forma tão intrínseca que ela própria, na recta final, transforma-se, em parte, numa ave canora. A relação com a natureza exerce uma tremenda influência na sua abordagem às canções, onde habitam silêncios, texturas contemplativas, mas também uma força espontânea só possível de se manifestar nesse lugar primário, daí que se sinta também a maternidade como elemento fulcral desta parte do espectáculo, dada a forma como interage com o boneco de madeira (que, imagino eu, seja a forma de transpor para palco Bertie enquanto criança) que a acompanha durante toda esta fase, trazendo assim referências da arte do mimo, que habitam a obra visual de Bush desde o início.
O fim chega com Among Angels (50 Words for Snow, 2011), interpretada com a cantora ao piano, sozinha em palco, num momento de grande exposição íntima, encontrando-se a beleza precisamente nessa vulnerabilidade, e a já referida Cloudbusting, já com grupo, coro e atores ao seu lado.
Acabo de escrever este texto e tudo isto ainda me parece surreal. Um daqueles sonhos que só a Kate Bush proporcionava nas suas canções. Só ela o poderia materializar.

Kate Bush - Before the Dawn

Passou uma semana desde que vi Kate Bush e o espectáculo Before the Dawn e, para ser profundamente honesto, ainda não estou em mim ou acredito sequer que tal tenha sido possível. Quando ao fim de umas três horas de concerto a Kate (ouso dirigir-me com esta informalidade porque ela faz parte da minha vida diária) começa a cantar os versos “I just know that something good is going to happen/ And I don’t know when/ But just saying it could even make it happen”, da belíssima Cloudbusting (que eu me atrevi a referir há quinze dias, numa entrevista na Antena 1, que era a minha preferida, ainda que essa escolha seja uma tarefa impossível de concretizar), não contive a choradeira. Não só por ter à minha frente uma mulher como Kate Bush ou por sentir, naquele preciso momento, que fazia parte de uma qualquer comunidade abstracta que se unia de forma tão feliz e efusiva, mas principalmente porque aqueles versos se inscreviam com precisão nas minhas ansiedades para lhes dar uma reviravolta.

Dado o meu trabalho quotidiano habituei-me a ver concertos com tanta regularidade que, nos últimos anos, a excitação de outrora deu lugar ao tédio por ver ininterruptamente as mesmas fórmulas, os mesmos rituais de espectáculo, seja em cima do palco, seja entre o público. E se, por um lado, um regresso aos palcos de Kate Bush, 35 anos depois da sua primeira e única digressão, significaria sempre uma fuga a essa conduta normativa, nunca na vida eu sonhava que o espectáculo que ela preparou fosse aquilo que acabei por ver.

Before the Dawn não é um concerto pop/rock. Também não é uma peça de teatro ou uma ópera, ainda que se aproprie com grande liberdade de todas estas linguagens. Before the Dawn é uma forma de aceder, a partir de dentro, à personalidade tão complexa e intricada da Kate Bush-artista, trágica, obscura e fantasiosa na sua incandescência ao mesmo tempo que consegue ser profundamente cândida e maternal, construindo-se como uma personagem teatral mas mantendo uma ressonância emotiva que a mantém profundamente terrena e minha (sim, minha).

Pode-se dizer que o início do espectáculo é mais convencional, recuperando canções como Lily (do álbum The Red Shoes, 1993), Hounds of Love e Running Up that Hill (A Deal With God) (Hounds of Love, 1985) ou King of the Mountain (Aerial, 2005), esta última apresentada numa nova versão que consegue suplantar a original. Fiquei desde logo surpreendido pela prestação vocal da Kate, tão precisa e emotiva, sendo impossível que tenha ficado muito tempo sem cantar com regularidade e depois apareça do nada e se mantenha uma intérprete tão infalível. Aposto que andou a dar concertos lá na mansão junto ao mar e não nos disse nada.

Mas a maior surpresa veio depois, quando transpôs para palco a Ninth Wave, suite que compõe o lado B de Hounds of Love, série de canções sobre uma mulher que se vê isolada no mar gélido. Antes foram atirados sobre o público centenas de bilhetes amarelos com os versos “Wave after wave, each mightier than the last,/ Till last, a ninth one, gathering half the deep/ And full of voices, slowly rose and plunged/ Roaring, and all the wave was in a flame”, de um poema de Alfred Tenyson, que já tinham sido incluídos no seu quinto álbum. Esta é, claramente, a secção mais complexa e ambiciosa de Before the Dawn, construída como um espectáculo teatral, mas com uma componente cinematográfica muito marcada. Vemo-la perdida nas águas, o seu corpo a assombrar o filho (interpretado pelo próprio filho, Bertie, que integra o coro e o grupo de atores), a sua tentativa de salvamento/salvação até que cai nos braços dos cadáveres de peixes, que a levam para nenhures, transportando estes o seu corpo entre o público, até que, no final, se vê a sua mão no ar para logo desaparecer, ficando na dúvida se esta mulher foi ou não salva. A felicidade de The Morning Fog, que conclui a Ninth Wave, faz antever um final feliz, ainda que o desfecho também possa ter lugar num outro patamar metafísico, distante do mundo terreno.

Depois do intervalo, Kate Bush voltou para interpretar uma outra peça conceptual, A Sky of Honey, presente na segunda parte da obra-prima que é Aerial, com a qual regressou aos discos depois de doze anos afastada. A suite centra-se num relato das diferentes etapas do dia, desde o alvorecer da manhã até anoitecer, concluindo com a nova manhã, ao mesmo tempo que um pintor (interpretado novamente por Bertie, que nesta parte chegou a cantar sozinho uma nova canção, Tawny Moon) tenta registar na tela esta evolução. Esta é uma secção onde Kate mostra uma relação telúrica com a natureza, com o canto dos pássaros que tenta replicar (na belíssima Aerial Tal), e isto acontece de forma tão intrínseca que ela própria, na recta final, transforma-se, em parte, numa ave canora. A relação com a natureza exerce uma tremenda influência na sua abordagem às canções, onde habitam silêncios, texturas contemplativas, mas também uma força espontânea só possível de se manifestar nesse lugar primário, daí que se sinta também a maternidade como elemento fulcral desta parte do espectáculo, dada a forma como interage com o boneco de madeira (que, imagino eu, seja a forma de transpor para palco Bertie enquanto criança) que a acompanha durante toda esta fase, trazendo assim referências da arte do mimo, que habitam a obra visual de Bush desde o início.

O fim chega com Among Angels (50 Words for Snow, 2011), interpretada com a cantora ao piano, sozinha em palco, num momento de grande exposição íntima, encontrando-se a beleza precisamente nessa vulnerabilidade, e a já referida Cloudbusting, já com grupo, coro e atores ao seu lado.

Acabo de escrever este texto e tudo isto ainda me parece surreal. Um daqueles sonhos que só a Kate Bush proporcionava nas suas canções. Só ela o poderia materializar.

setembro 10, 2014

one direction - fireproof

não me venham com merdas, os one direction estão longe de ser uma boyband convencional. não só pela forma como eles se relacionam uns com os outros, mas até pela própria evolução musical, que de disco para disco tem preterido um som dito adulto (ou pelo menos assente em guitarras) em vez da pop eletrónica que, habitualmente, caracteriza estes grupos. talvez por isso os miúdos já tenham deixado uma descendência (5 seconds of summer) que passa mais por ir beber à pop/punk de uns blink 182 e green day do que às coreografias ensaiadas ao milímetro dos backstreet boys ou ‘n sync. 

isto tudo para falar da nova canção dos one direction, fireproof. se alguém estiver a ler esta imbecilidade de texto saberá que sou um fã acérrimo dos fleetwood mac. e são eles a grande influência que marca esta pérola de canção. a subtileza das harmonias vocais, dos coros que constantemente cercam as vozes de cada um dos miúdos com uma leveza que só me faz pensar na brisa do mar, servindo esta sombra vocal como uma manta que suporta uma guitarra em permanente solo, nunca impositiva mas bastante easy-going, conjugada com a bateria a marcar o ritmo midtempo, tudo isto só me traz à memória as canções mais solares dos fleetwood mac do período 1975-82 (ouvir entre 1:30-1:50 ou os últimos quarenta segundos para tirar as teimas).

sei bem que cada um ouve o que quer no que ouve, mas sinto que não estou a enlouquecer quando oiço em fireproof uma herança da riqueza melódica de lindsey buckingham/stevie nicks/christine mcvie/mick fleetwood/john mcvie. e, por isso, parece-me que os one direction estão, uma vez mais, a desmontar estereótipos relacionados com as boybands. 

ah e o niall está tão confortável neste registo que nunca soou tão doce (00:26-00:42). só espero - #fingerscrossed - que isto seja prenúncio para o disco que aí vem, four, a sair em novembro. até lá ainda haverá o filme-concerto para dar cabo da minha sanidade emocional.

agosto 4, 2014
"toda a gente é esquisita, menina, toda a gente é esquisita, só que alguns não se matam e outros conseguem sorrir"

— valério romão in o da joana

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